O pré-candidato ao Senado Rafael Motta (PDT) voltou a acusar o senador Rogério Marinho (PL) de ter usado a estrutura do Governo Federal para viabilizar sua eleição em 2022. Naquele pleito, Rogério derrotou Rafael. “É uma realidade. O atual senador Rogério Marinho, enquanto ministro do governo Bolsonaro, se utilizou dessa posição para fazer um investimento político para a sua eleição”, disse, em entrevista à rádio 95 FM.
Apesar de reconhecer a importância da chegada de investimentos ao Estado, apontou que Rogério fez “direcionamento político” nas indicações de recursos, o que, em sua avaliação, comprometeu a equidade da disputa. “Não estou reclamando que ele tenha trazido investimentos. O problema é quando você direciona esse tipo de investimento exclusivamente para os seus apoiadores”, acrescentou. “Não houve paridade de armas”, avaliou.
Rafael também mencionou investigações relacionadas ao envio de recursos pela pasta de Rogério Marinho durante o governo Bolsonaro e citou o histórico do senador. “A Justiça tem o processo do tratoraço, uma série de licitações fraudulentas… O currículo de Rogério Marinho, conhecido como Saco Preto, vai dizer quem ele é”, afirmou.
Em outro momento, criticou declarações do senador sobre as fraudes no INSS, fazendo um paralelo com a atuação de Rogério Marinho na reforma da Previdência. “Eu fico revoltado porque não tem ninguém lá para votar o dedo na cara dele e dizer: quem é você para falar sobre roubo aos velhinhos se você foi o carrasco do trabalhador, que prejudicou todos os aposentados do Brasil?”, disse, classificando a postura como “incoerência total”.
Questionado sobre a saída de Rogério da disputa ao governo do Estado, para apoiar a candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), Rafael foi direto. “Eu acho que faltou coragem dele. Ele sabia que ia sair pequeno, como ele já está. Foi frouxo nesse sentido”, afirmou, atribuindo a decisão a cálculo político desfavorável.
O confronto ocorre no contexto da disputa ao Senado em 2026, que tende a ser marcada por forte polarização. Rafael integra o campo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao pré-candidato ao governo Cadu Xavier (PT), enquanto Rogério é uma das principais lideranças nacionais da oposição, atuando como secretário-geral do PL e coordenador político.
Ao tratar da eleição de 2022, Rafael rejeitou a tese de que sua candidatura ao Senado teria sido estratégica para prejudicar o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, que tinha o apoio formal do PT na disputa. “Quando você é candidato, você é candidato para ganhar. Eu fui candidato naquele momento para ganhar a eleição. Você vai ter que acusar 385 mil pessoas que atrapalharam a eleição de outro”, declarou.
Ainda assim, fez autocrítica sobre decisões tomadas naquele processo. “Faço mea culpa. Talvez tenha trazido um certo prejuízo”, afirmou, ao admitir que a fragmentação na esquerda pode ter contribuído para a eleição de Rogério Marinho — naquele pleito, o senador do PL foi eleito mesmo obtendo apenas 41,85% dos votos válidos.

