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Aulas remotas: modelo de educação ou improviso?

O sistema de aulas remotas virtual que foi estabelecido pela Prefeitura de Mossoró para as/os estudantes da educação básica além de aprofundar as desigualdades, também coloca em evidência e trás à tona o debate do não acesso às tecnologias. Texto de Plúvia Oliveira.

Por Plúvia Oliveira, comunicadora popular e gestora ambiental

A pandemia interferiu fortemente na vida da pessoas e continua nos deixando mais nítidas as desigualdades que persistem na vida das brasileiras e brasileiros, e quando atrelado a isso se tem uma gestão pública, como a de Rosalba à frente da prefeitura, que mais parece estar interessada a aprofundar essa crise,  nos faz perceber o quanto um projeto político que não pensa nas pessoas pode ser danoso na vida daquelas/es que mais precisam de políticas públicas.

O sistema de aulas remotas virtual que foi estabelecido pela Prefeitura Municipal de Mossoró para as/os estudantes da educação básica além de aprofundar as desigualdades, também coloca em evidência e trás à tona o debate do não acesso à internet e/ou aparelhos tecnológicos para usufruir como uma ferramenta de informação. Para além disso também coloca em risco a universalidade da educação (acesso à educação de forma democrática para todas e todos).

Dito isso, nos leva a alguns questionamentos: hoje encontra-se uma disputa de concepção que fala muito sobre qual a papel da educação? Qual modelo educacional tem sido construído nas bases? As aulas remotas, fazem parte de um projeto de educação ou de improvisação? Considerando também que as/os professoras/es necessitam de formações sistemáticas e em sua maioria precisam de uma maior formação para o uso das mídias digitais.

Segundo a pesquisa feita pelo Sindiserpum entre os dias 29/05 e 01/06, com 229 professoras/es da rede pública de Mossoró, 87,3% delas/es acreditam que as aulas remotas aprofundam as desigualdades na distribuição das oportunidades de ensino e aprendizagem, já para 79% a frequência das/os estudantes nas aulas remotas é menor que 70% e para 49% menos da metade das/os estudantes assistem aulas remotas.

Ainda segundo essa pesquisa, 83% das/os profesoras/es acham que as aulas remotas não são efetivas para a aprendizagem, e isso nos leva também até a questão de que as/os responsáveis pelas/os estudantes, na sua maioria mulheres, não estão preparadas/os para dar sequência ao ensino das/os filhas/os, e não por culpa própria, mas sim por outros motivos, como por exemplo o alto grau de analfabetismo, podendo se agravar ainda mais na vida das mulheres, que são as primeiras a sofrerem quando trata do assunto educação, tendo muitas vezes que saírem das escolas.

Defendemos a educação, direito de todas/os, pública, gratuita e de qualidade que compreenda a formação como uma etapa fundamental na vida de todas/os, não só como uma mera formalidade. Neste sentido, as aulas remotas ainda são uma realidade distante de ser uma solução concreta para a crise que vivemos. É importante se construir caminhos para a universalização da internet, mas isso não se resolve de forma emergencial em meio a uma crise estrutural. Neste momento é fundamental garantirmos o isolamento social, a formação das/os professoras/es para este período em curso e a criação de outros espaços optativos da escola nas redes com a comunidade acadêmica, mas não desconsiderar a realidade da maioria da população, que não possui acesso a internet e/ou computadores/celulares.