Embate

A invertida do vereador Raério Cabeça em Francisco Carlos na Câmara

As manifestações dos parlamentares de oposição insurgem repentinamente, levantando causas e consequências com origem antiga, e gerando reações contundentes na Câmara Municipal

Por William Robson

Os vereadores ligados ao grupo rosalbista não gostam de lembrar do passado. Seria como, se em um passe de mágica, tudo pudesse ser negligenciado e o tempo começasse do zero. Porém, as manifestações destes parlamentares insurgem repentinamente, levantando causas e consequências com origem antiga, datada do período em que integraram o bloco da situação.

O vereador de oposição, Francisco Carlos (Foto: Marcos Garcia)

Não importa o que foi causado no passado. Para os vereadores, ora na oposição, é preciso solução imediata. Co-responsáveis pelo quadro que levou à calamidade financeira e administrativa, um deles, o vereador Francisco Carlos, ergue-se veemente para criticar uma gestão que apenas começa, cobrando pelos erros no combate à pandemia, estendidos por todo o ano passado. O caso foi citado no Instagram do Mossoró Hoje.

Como sabemos, a ex-prefeita Rosalba Ciarlini pegou carona no discurso bolsonarista da relativização da pandemia. Só não conseguiu vencer o prefeito de Natal, Álvaro Dias, que até hoje recomenda remédio para piolho para uma doença sem tratamento conhecido. Rosalba tentou evitar o isolamento social, implantando túnel placebo em versão beta instalado na entrada da Cobal em maio do ano passado. O objetivo era manter as pessoas em circulação normalmente, bastando a aspersão de substância inócua. A geringonça inútil foi logo descartada.

Em seguida, rendeu-se à cloroquina, medicamento sem qualquer comprovação de eficácia. Em comunicado emitido pela Prefeitura de Mossoró, em julho passado, Rosalba explicou em tom bolsonarista: “Há vários trabalhos pelo mundo que mostram que a hidroxicloroquina, por exemplo, ajuda na fase inicial. Não podemos ficar esperando meses e meses e as pessoas morrendo”. No dia 25 do mesmo mês, a prefeita foi descoberta com Covid-19, teste que escondeu enquanto pôde.

Ante à pressão econômica, a prefeita Rosalba Ciarlini adotou medidas sensatas e consoantes com o Governo do Estado. Porém, nem sempre foi assim. Em alguns decretos, Rosalba reabriu setores, chocando-se com a estratégia de combate à pandemia do ente estadual.

Tudo isso foi esquecido pelos vereadores rosalbistas. Francisco Carlos acusa o atual prefeito, Allyson Bezerra, de omissão em sessão nesta terça-feira (23), na Câmara Municipal. O vereador Raério Cabeção aproveitou, então, para expor os pontos que fragilizaram a saúde mossoroense, em invertida que durou um minuto e meio.

Veja o vídeo:

 

“Se a saúde de Mossoró está um caos era porque tinha médico que ganhava R$ 80 mil na Prefeitura. Eu encontrei pessoas com 66 plantões”, denuncia o vereador. Imagine como seriam 66 plantões dentro de um mês com 30 dias? “Mossoró tem uma dívida de quase R$ 1 bilhão e alguém vem dizer que não posso falar do passado?”.

O banner divulgado pela Prefeitura sobre a dívida encontrada no município, ainda sem os números consolidados

Raério se refere ao débito de R$ 875.012.292,97,  número ainda não consolidado segundo o secretário de Planejamento, Frank Felisardo. A maior parte deste montante vem de fornecedores e prestadores de serviço, totalizando mais de R$ 252 milhões. Acrescenta aí neste grosso, o passivo com o Instituto Municipal de Previdência Social dos Servidores de Mossoró (Previ-Mossoró)  de R$ 233 milhões. Além do INSS (R$ 91.469.986,89) e salários, 13° salário, férias: R$ 16.701.509,61, este negociado e cujo cronograma foi anunciado nesta segunda-feira (23).

Inclui-se também o débito que surpreendeu o prefeito Allyson Bezerra na semana passada, de R$ 1,7 milhão ao INSS, suficiente para incluir o Município no Cauc, serviço que disponibiliza informações acerca da situação de cumprimento de requisitos fiscais necessários para transferência de recursos, espécie de Serasa das cidades.

“Mossoró tinha empreendedores, que na verdade mantinham “gatinhas”, empresas que tapavam buracos, faziam calçamentos… Mais de 30 delas foram escanteadas por uma máfia de quatro, cinco empresas fazendo calçamento e asfalto de péssima qualidade com o apoio da gestão passada”, lembra o vereador Raério. “Então quem mais contribuiu para a Covid estar deste jeito em nossa cidade, foi a gestão passada, que atrasou a transição, não pagou funcionários…”. Os vereadores da oposição não rebateram as denúncias.