Legado

A ingratidão de alguns que avançaram no Nordeste

Como filho de nordestinos e por morar no mais oligárquico e em um dos mais subdesenvolvidos  estados da nação, o RN, conheço nordestinos que alcançaram uma sensível melhora na qualidade de vida nos últimos dez anos, conquistando profissão, trabalho, carro, apartamento e faculdade (coisa que seus pais passaram a vida inteira e não conseguiram)

Depois que vi uma reportagem em que um professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o economista Cícero Péricles, de que o Nordeste será penalizado com a queda da presidente Dilma Rousseff, me veio esta reflexão.

Como filho de nordestinos e por morar no mais oligárquico e em um dos mais subdesenvolvidos  estados da nação, o RN, conheço nordestinos que alcançaram uma sensível melhora na qualidade de vida nos últimos dez anos, conquistando profissão, trabalho, carro, apartamento e faculdade (coisa que seus pais passaram a vida inteira e não conseguiram).

Mas preferiram ser conduzidos e engrossar o discurso da elite de que sua vida está pior que antes.

É preciso voltar aos tempos dos seus pais, da casa de taipa, do pau de arara, do arroz com feijão e de que a “pobreza é isso mesmo porque Deus quer”.

Engoliram a conversa e na iminência do golpe, a Direita faz questão de colocar o pobre “em seu devido lugar” de vassalagem.

Como seus pais trabalharam como condenados em meio ao sol forte da caatinga e mal conseguiam criar os filhos, vi alguns filhos ingratos dizerem que suas atuais conquistas é tão somente fruto de seu esforço.

Ou seja, há duas lógicas insanas aí: a primeira é reconhecer que seus antepassados não se esforçaram o suficiente. Não progrediram e tiveram que conviver naquele cenário de fome e desolação em toda região, porque tanto eles quanto seus demais contemporâneos não se empenharam.

Por coincidência, os nordestinos só decidiram se esforçar de dez anos para cá.

A segunda, é achar que se estivessem em Papua Guiné, no Nepal ou na República Democrática do Congo, alcançariam a mesma façanha.Afinal, seus esforços não dependem de fatores externos.

É uma completa falta de noção sobre as constantes e históricas lutas regionais, das relações de poder desde as capitanias hereditárias, que condenaram o Nordeste a uma situação de subserviência e desprezo, e que somente agora é que estávamos construindo uma reação.

Mas, como na vida, os ingratos abordados nesta reflexão são minoria. Na verdade, o nordestino votou em massa na presidente Dilma, votos que os golpistas querem derrubar.

Como disse Ana Paula Laux, “se você não tem um helicóptero, contas no exterior e se vive no cheque especial, sorry, mas vc não é elite”