Articulação

A abalada relação de Fátima com os prefeitos

A semana começou com 120 prefeitos de pires de mão na governadoria

Imagem principal: Adriano Abreu/Tribuna do Norte

Por William Robson

A semana começou com 120 prefeitos de pires de mão na governadoria. Eles pressionavam o Governo do Estado para o pagamento de R$ 12,6 milhões em repasses atrasados de ICMS. A manifestação foi organizada pela Federação dos Municípios do RN (Femurn), que mesmo após acordo há poucos dias do protesto previsto, manteve a agenda. Isso demonstr0u que, mais que uma cobrança, há uma crise exposta entre Governo e Municípios.

O secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, reagiu imediatamente ao levante. “Acho que uma manifestação em meio de uma negociação, com proposta aceita, inclusive, me parece ter uma motivação política”, disse. Afirmou, assim, que todos os que participaram usaram o pretexto da dívida para fazer política adversária. Retrucar desta forma não parece ter sido a melhor estratégia diante da situação.

A quantidade de prefeitos dá a dimensão da crise. São 120 num universo de 167 cidades. Se houver apenas motivação política em torno disso, a governadora Fátima Bezerra vai necessitar impor uma articulação capaz de mantê-la em harmonia com a grande maioria dos Municípios.

Por outro lado, muitos prefeitos que aderiram à manifestação foram também aderentes à campanha para a reeleição da governadora. Muitos deles integrantes da chapa “Farinho”, que incluía o voto em Rogério Marinho para o Senado. A votação expressiva que garantiu a vitória de Fátima no primeiro turno deve-se ao apoio dos prefeitos que hoje sentem-se no direito de cobrar por dívidas legítimas.

A Femurn está nas mãos de Luciano Santos, ligado ao seu vice Walter Alves (MDB), até aqui, aliado da governadora,. Nem ele foi capaz de impedir a movimentação que chegou ao estopim na segunda-feira (24). Mais que uma pressão pelos recursos, está aí o momento em repensar a relação do Governo com os prefeitos.

O Governo, por outro lado, nunca se opôs a conversar. Não tem dinheiro, é verdade. Precisou usar até os recursos destinados às prefeituras. Mas, nesta hora, é preciso reconhecer toda a situação e debelar esta crise que está se formando.