Eleições 2026

Kelps retira pré-candidatura a deputado federal e desfalca nominata da federação União Progressista

Segundo Kelps, a decisão de não ser candidato foi tomada após uma sequência de promessas não cumpridas
9 de julho de 2026
Divulgação
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Imagem: Ex-deputado estadual Kelps Lima em entrevista à rádio 96 FM hoje – Foto: Reprodução

O ex-deputado estadual Kelps Lima (União) anunciou, nesta quinta-feira 9, que desistiu de ser candidato a deputado federal — decisão que desfalca a nominata da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Em entrevista ao programa Meio Dia RN, da rádio 96 FM, ele acusou a direção do União Brasil e os deputados Benes Leocádio (União), João Maia (PP) e Robinson Faria (PP) de boicotarem seu projeto eleitoral e descumprirem compromissos políticos assumidos previamente, destaca o Agora RN.

Segundo Kelps, a decisão de não ser candidato foi tomada após uma sequência de promessas não cumpridas. Ele cita como episódio decisivo uma reunião realizada cerca de 20 a 30 dias atrás entre Robinson, João Maia, Benes, Allyson e o deputado estadual Kleber Rodrigues (PP). Na versão do ex-deputado, os parlamentares teriam comunicado que compromissos políticos assumidos com ele não seriam executados.

O ex-deputado relatou que ingressou no União Brasil acompanhado da promessa de que receberia o apoio de 10 prefeitos que hoje são aliados de Benes, João Maia e Robinson. Segundo ele, o acordo foi discutido em uma reunião na sala do ex-senador José Agripino Maia, presidente do União Brasil, com a presença dos três deputados federais e do prefeito de Porto do Mangue, Francisco Faustino, levado por Kelps como “testemunha da mentira e da presepada”.

Kelps afirmou que passou a estranhar a situação quando os apoios municipais prometidos não se materializaram e chegou a receber a orientação de não tirar fotografias com prefeitos que, em tese, seriam transferidos para seu projeto, sob o argumento de que as bases precisariam ser previamente comunicadas.

Ao longo da entrevista, o ex-deputado assumiu responsabilidade por ter acreditado nos acordos e repetiu que os erros de avaliação foram seus. “Os erros de avaliação foram todos meus”, afirmou. À medida que passou a cobrar o cumprimento das promessas, disse ter sido tratado internamente como inconveniente. “Eu virei aquele cara que, quando o telefone toca, é o chato. ‘Ai, meu Deus, Kelps cobrando’. Eu virei o chato, eu virei o inconveniente.”

O ex-deputado sustentou que a promessa dos prefeitos não foi o único compromisso descumprido. Segundo ele, nenhuma das garantias centrais apresentadas durante a negociação de sua filiação ao União Brasil se concretizou, inclusive a promessa de repasses financeiros através do fundo eleitoral.

Kelps relatou que, durante as negociações para sua filiação, foi recebido pelo presidente nacional do partido, Antônio Rueda, em Brasília e no apartamento do dirigente em São Paulo, ocasiões em que teria ouvido promessas de apoio à construção de sua pré-candidatura. Ele afirmou que, diante da falta de avanços com o União Brasil, chegou a abrir conversas com Republicanos, PSDB e PCdoB antes do fechamento do prazo de filiações e que só não migrou para Republicanos ou PSDB porque essas legendas não conseguiram montar nominatas competitivas para deputado federal.

No fim das contas, decidiu permanecer no União Brasil, segundo ele, após receber novas garantias de que os apoios seriam repassados e de que teria tratamento partidário equivalente ao dispensado a um deputado federal.

O ex-deputado resumiu as promessas recebidas com ironia: “Tudo: o céu, a terra e as estrelas”. Ele contou que ajudou a articular a ida da influenciadora Leila Maia para a federação e ouviu que outras candidaturas robustas seriam construídas para completar a chapa, o que, em sua avaliação, não ocorreu.