Política

O que é a Raps, rede que Alysson se orgulha de participar?

A proliferação de grupos de renovação política foi um fenômeno nestas eleições no país. Allyson Bezerra juntou-se ao universo destes grupos, espécie de rede de qualificação que conseguiu ascender 28 de seus arrolados. Entenda como funciona

Por William Robson

A edição impressa do jornal Folha de S. Paulo do último dia 6 estampou reportagem em que uma imagem traz diversos políticos eleitos e reeleitos. Lá estava a foto do prefeito eleito de Mossoró, Allyson Bezerra. Logo que a matéria foi publicada, o próprio Allyson fez questão de divulgar em suas redes sociais, com o orgulho de integrar time seleto.

A reportagem destaca um fenômeno nestas eleições que é proliferação de grupos de renovação política. Allyson juntou-se ao universo destes grupos, espécie de rede de qualificação que conseguiu ascender 28 de seus arrolados. A Raps, em específico, é a rede a qual Allyson participa e que se apresenta como “organização da sociedade civil que busca fazer da política um lugar melhor e do desenvolvimento sustentável uma prioridade dos políticos”.

Allyson mostra-se tão orgulhoso em integrar a Raps que faz questão de destacar em sua biografia nas redes sociais. Raps é a sigla para Rede de Ação Política pela Sustentabilidade e, em muitas situações, grupos deste tipo eram classificados como espécie de “partidos políticos” velados, preparando seus associados para um pensamento liberal que se infiltraria  nos partidos institucionalizados.

A Raps, que tem oito anos de atuação, obteve o seu melhor desempenho em campanhas eleitorais desde que foi fundada, mas seus diretores garantem que a iniciativa da rede não é simplesmente elegê-los ou que tenha os mesmos intuitos dos partidos.  A diretora-executiva da rede, Mônica Sodré, afirmou, na entrevista à Folha, que “a preocupação não é renovar a política. Para a gente, o problema da política brasileira é de outra ordem e está relacionado à qualificação dos atores políticos, sejam eles novatos ou já eleitos.”

Assim, entende-se que o prefeito eleito de Mossoró passou por este processo de qualificação na Raps. A rede  é, ao todo, formada por 673 membros, de 29 partidos, de todos as regiões do país. Do total de membros, 175 estão cumprindo o exercício de mandatos eletivos: 7 senadores, 32 deputados federais, 40 deputados estaduais, 2 deputados distritais, 71 vereadores, 2 governadores, 17 prefeitos e 5 vice-prefeitos.  O partido de Allyson, o Solidariedade, conseguiu eleger três prefeitos.

Entre as figuras que fazem parte da rede, está o deputado do PSB, Alessandro Molon, porém, a maioria é formada por jovens líderes na política. Inclusive este é o termo que a Raps utiliza ao se referir aos seus membros: “Líder Raps”. Isso pode ser atestado no site da rede, onde consta uma imagem de Allyson com esta referência.

“Nosso compromisso é apoiar líderes políticos eleitos, de diferentes partidos e posições no espectro ideológico, para que compreendam e incorporem os princípios da sustentabilidade em suas ações. Escolhemos fazer isso por meio de uma agenda técnica e temática e também de uma atuação que potencialize a própria forma de fazer política, baseada na ética, na integridade, na transparência e na inovação”, diz o texto de apresentação no site ao explicar o propósito da Raps.

A rede funciona como uma espécie de consultoria para políticos interessados em disputar eleições municipais, estaduais e federais. Há um processo seletivo e aceita inscrições tanto de novatos, quanto de  quem tem uma carreira política já consolidada.

A Raps, espeficiamente, abre processo de seleção todos os anos.  As inscrições dos interessados e a participação dos selecionados no programa são gratuitas. São escolhidos aqueles que melhor preencherem os requisitos.

Além do Raps, há outros movimentos de renovação política com propostas parecidas, como a da Fundação Lehmann, que conseguiu emplacar a deputada Tábata Amaral, o RenovaBR, o Agora, Acredito e Livre. Segundo a reportagem da Folha, os cinco grupos lançaram 184 candidaturas para prefeituras, sendo 47 mulheres (26%) e 50 de negros (27%), somando os autodeclarados pardos e negros. Dentre os 28 eleitos, 3 são mulheres (11%) e 8 negros (29%).